O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu nesta quinta-feira que a queda do voo Voepass em agosto de 2024 resultou de falhas no sistema de degelo, alertas desligados pela tripulação e uma cultura interna que normalizava desvios de segurança. A aeronave ATR caiu em Vinhedo, São Paulo, matando 62 pessoas, sendo 4 tripulantes.
Pilotos e copilotos detectavam gelo e falhas no sistema de degelo em voos anteriores, mas não registravam essas ocorrências. Quando o sistema de degelo falhava, era desligado sem que a aeronave descesse para altitudes menores, procedimento obrigatório. Durante o voo fatal, o sistema alertou oito vezes sobre a redução de velocidade causada pelo peso do gelo, mas nenhuma ação corretiva foi tomada.
A investigação também revelou que a manutenção da Voepass era deficiente. Mecânicos trocavam componentes com defeito entre aeronaves diferentes e as liberavam para voo. Além disso, a aeronave não deveria ter decolado por ter pane nos limpadores de para-brisa, o que a restringia a voos sem chuva prevista.
O Cenipa analisou 15 mil voos da empresa e encontrou 1.674 com alertas de degradação de performance. Um desses voos registrou perda de controle, mas o Cenipa nunca foi notificado. Chefes da investigação afirmaram que dos 19 fatores contribuintes identificados, a cultura organizacional foi determinante para o acidente.
Com informações de agenciabrasil.ebc.com.br.